Aos Nossos Pais

Perdoem a cara emburrada

Perdoem a falta de abraço

Perdoem a falta de afeto

Perdoem os pés descalços 

Perdoem o estresse diário 

Perdoem o silêncio

Perdoem a falta de um sorriso

Perdoem a falta de um abraço

Perdoem a falta de um eu te amo

Perdoem o esconderijo

Perdoem o celular na sala em meio a conversa

Perdoem o banho demorado.

Perdoem a saída sem avisar

Perdoem as escolhas 

Perdoem a cama desforrada

Perdoem o resto da comida

Perdoem o prato não lavado

Perdoem a ausência de amigos

Perdoem a rebeldia

Perdoem a preguiça

Perdoem o gasto de dinheiro

Perdoem as festas

Perdoem os relacionamentos

Perdoem o abandono

Perdoem a ingratidão

Perdoem impaciência

Perdoem a música alta

Perdoem não compreender.

São tempos difíceis.

AMANHECEU

“O NADA NAQUELE INSTANTE, ERA TUDO QUE SE PODIA PRESTAR ATENÇÃO.”

Primeiramente uma pergunta tinha que ser feita: Quem acordou primeiro?


Na verdade era uma reunião de palhas, da raiz cor creme queimada típica delas, que se espalharam durante o descanso.

O nada naquele instante era tudo que se podia prestar atenção, não havia o que fazer. Apenas esperar a preguiça deslizar para longe, até a noite chegar e como uma sombra retornar.

Nisso se tinha marcas expressando um nojo pela vida. Pular para fora dali simplesmente seria contra qualquer coisa que lhe arriscasse a ter vontade. A tarefa mais fácil foi por uma súbita fuga da noite mal dormida. Um privilégio ser interrompida. E no final se fazia outra pergunta, esta conjunta:

Quando como, que horas, sairia dali?

Mulher Acordando” – Eva Gonzalez
Pintora francesa (1849-1883)
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